sexta-feira, 8 de dezembro de 2017










Uma carta de Tomás da Fonseca para Bernardino Machado  -  1904  -  Do espólio do Museu Bernardino Machado














quinta-feira, 7 de dezembro de 2017






Lançamento em Benavente de uma fotobiografia de Natércia Freire da autoria de Isabel Corte-Real. A fotobiografia de Natércia Freire “Da Memória Do Amor e Do Génio” foi lançada na tarde de sábado, 29 de Abril, na Câmara Municipal de Benavente perante uma plateia maioritariamente composta por mulheres e com a presença da editora Zita Seabra e do jornalista António Valdemar. A sessão foi presidida pela vereadora da Cultura da Câmara de Benavente, Ana Carla Gonçalves, e teve em Raquel Oliveira a protagonista de dois momentos emocionantes de declamação de poemas.



António Valdemar foi a Benavente falar da vida e Obra de Natércia Freire elogiando também o seu percurso profissional e de vida como jornalista e escritora. António Valdemar conviveu de perto com Natércia Freire no Diário de Notícias, onde entrou nos anos sessenta, quando Natércia Freire era igualmente responsável pelo suplemento Artes e Letras onde escreviam nomes cimeiros da cultura portuguesa.

“É uma das grandes autoras da literatura portuguesa. Em 2019 comemoramos o centenário do seu nascimento que coincide com os centenários de outros grandes vultos da literatura como é o caso de Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Anderson, Joel Serrão e José Hermano Saraiva”, lembrou. Na sua opinião é preciso deitar mãos à obra para que a comemoração da data de homenagem a Natércia Freire não seja ofuscada pela de outros igualmente grandes nomes da cultura portuguesa”, referiu António Valdemar.
Depois de recordar que Natércia Freire deu guarida a todas as tendências literárias enquanto coordenadora do Artes e Letras, António Valdemar disse que juntava “o seu obscuro nome ao de David Mourão-Ferreira, Jorge de Sena e Natália Correia que lhe dedicaram livros e escreveram cartas e depoimentos onde enalteceram o seu espírito aberto a todas as ideias e ideais assim como a sua enorme tolerância”.
Para enaltecer a qualidade da Obra poética citou passagens de um estudo de António Ramos Rosa que fala de Natércia Freire a propósito do Prémio Nacional de Poesia que lhe foi atribuído em 1971. Para o académico, investigador e jornalista falta, na actualidade, uma compilação dos seus textos num novo livro que possa ser incluído no Plano Nacional de Leitura. “É justo e seria uma forma de promover a autora como ela merece junto das novas gerações”, disse António Valdemar que terminou a sua conferência realçando a ligação da autora a Benavente e ao seu património, ao rio Sorraia e à Lezíria, ao mar verde a que se juntaria mais tarde o mar da Parede e por fim o mar dos Algarves, lugares onde viveu e também marcaram a sua obra.
Isabel Corte-Real falou do desafio de escrever sobre a mulher e a poeta que foi sua mãe e lembrou o quanto Natércia Freire era uma mulher de Benavente mas também da Póvoa de Santa Iria e da Parede, lugares onde viveu. “Na nossa casa acolheram-se muitos poetas e escritores como Vinicius de Moraes”, lembrou Isabel Corte-Real que tem ainda memória dos encontros da sua mãe com Clarice Lispector, Cecília Meireles e muitos outros escritores e poetas que deixaram nome e obra. “Nesses tempos havia tempo para tardes de chá na nossa casa; a minha mãe juntava muitos escritores em casa. Eu ainda não sabia ler e já sabia poemas de cor, de os ouvir recitar a minha mãe que era uma grande leitora antes de ser grande escritora” recordou.
“A minha mãe escreveu quase até fechar os olhos. Foi sempre uma mulher vertical. A sua Obra sofreu com o saneamento que lhe fizeram no Diário de Notícias mas não foi isso que lhe roubou o amor à palavra e à escrita”, acentuou.
Para além de ser uma grande escritora, Isabel Corte-Real realçou o papel da sua mãe como mulher e esposa de José Izidro, o primeiro médico de Samora Correia e mais tarde da Povoa de Santa Iria. “A minha mãe era uma mulher de ajudar os outros como hoje ninguém ajuda. Visitava casas pobres e degradadas, limpava e arrumava, e em muitos casos ajudava no asseio íntimo de muitas pessoas que viviam sozinhas”. Para Isabel Corte-Real, a escrita e a organização desta fotobiografia teve como princípio orientador a Obra literária de Natércia Freire, as relações socais, o seu espírito solidário e a sua fé.


































terça-feira, 5 de dezembro de 2017




Da página de António Valdemar . "Viajando com livros" - da revista Tempo Livre









segunda-feira, 4 de dezembro de 2017





A censura durante o Estado Novo































domingo, 3 de dezembro de 2017
















Do "Almanaque Republicano", com a devida vénia



Mateus Moreno

Militar. Combatente na Grande Guerra.
Escritor e jornalista.
Mateus Martins Moreno Júnior nasceu em Faro a 27 de Setembro de 1892. Apaixão pela cidade que o viu crescer e  pelo Algarve revelaram-se logo na sua mocidade, através da participação na imprensa e no movimento associativo locais, e fizeram dele um fervoroso regionalista. Presidiu à Academia do Liceu de Faro, onde fez estudos preparatórios. Fundou, em Outubro 1911, o quinzenário académico A Mocidade, sendo da sua lavra a rubrica «Horas líricas», onde publicou muita poesia. A revista manteve-se até Abril de 1913 e com ela colaboraram muitos dos autores que, mais tarde, estarão presentes na Alma Nova: José Guerreiro de Murta, José Dias Sancho, C. A. Lister Franco, entre muitos outros. Ainda enquanto estudante no Liceu de Faro escreveu a sua primeira peça de teatro A Carta.

Em finais de 1914, Martins Moreno veio para Lisboa, para frequentar o curso de Matemáticas, da Faculdade de Ciências. Terá sido essa a razão da transição da redacção, administração e impressão da Alma Nova para a capital. Não obstante os deveres académicos, Martins Moreno manteve uma intensa relação com a vida algarvia, como dá testemunho a organização do I Congresso Regional do Algarve, a direcção da revista Alma Nova, a publicação dos primeiros livros e outras actividades.


Em 1917, foi mobilizado com ordem de marcha para França, incorporado no C.E.P., como alferes miliciano de artilharia de campanha, conseguiram interromper a actividade como escritor e como director da Alma Nova. No entanto, não é de excluir que as dificuldades que a revista registou no cumprimento da periodicidade, no final de 1916 e início do ano seguinte, se ficassem a dever à ausência de Martins Moreno. Na frente, redigiu e publicou alguns livros sobre o conflito militar e estudos técnicos sobre a sua arma, que foram apreciados pela hierarquia do exército. Na Alma Nova foram publicadas 5 cartas com as suas impressões da viagem e da chegada a França (N.º 21-24, pp. 73-79).

Terminada a guerra Martins Moreno optou pela carreira militar, frequentando a Escola de Guerra. Também fez o Curso Superior Colonial, em resultado do qual obteve algumas missões em Angola e desempenhou altos cargos. Atingiu o posto de Major, em 1942. Recebeu condecorações como o Grau de Oficial, com Decreto de 7 de Fevereiro de 1941 e Grau de Comendador, com Decreto de 10 de Maio de 1957Mateus Moreno foi igualmente promotor exposições, instituiu prémios, cunhou medalhas, recordou o notável algarvio Álvaro Botelho, festejou o centenário da cidade de Lubango, elaborou o projecto de novo Regulamento de Continência e Honras Militares, integrou como oficial de justiça o Conselho Superior de Disciplina Militar, em cujo cargo de fundador da instituição, impulsionou a construção de edifícios e delegações. Exerceu a docência no Colégio Militar de 1942 a 1944
Enquanto esteve em Angola representou a Sociedade Broteriana de Coimbra, tendo procedido ao levantamento e envio de espécies botânicas para estudo dos elementos desta sociedade científica. Ainda em Lubango integrou a direcção da Casa da Metrópole e serviu como delegado da Sociedade de Geografia de Lisboa. Cria um museu militar em Lubango e funda a revista Escoteiro da Huíla, entretanto vai leccionando no Liceu Diogo Cão, em Lubango. Desenvolve acções de propaganda junto da população indígena, realizou exposições e sessões de divulgação. Foi Chefe do Serviço de Informações do Governador Geral de Angola, tendo sido o responsável pela sua organização inicial.

Regressado a Lisboa, em 1950, foi o responsável pela organização da Exposição das Bodas de Diamante da Sociedade de Geografia de Lisboa. Pertenceu à delegação do Algarve para as Comemorações do V Centenário do Infante D. Henrique. Participou também de forma activa na comissão organizada pela Sociedade de Geografia para se erguer um monumento em homenagem ao General Henrique de Carvalho, em 1941, tendo desempenhado as funções de secretário desta comissão.

Mas a sua ligação ao Algarve e à imprensa local nunca esmoreceram. Manteve-se sempre na direcção da Alma Nova e colaborou com muitos periódicos algarvios. Refira-se ainda que foi fundador da Casa do Algarve em Lisboa, à qual presidiu entre 1952 até 1961. A partir de então foi seu presidente honorário. Nessa fase, realizaram-se inúmeras conferências na Casa do Algarve em Lisboa, reuniram-se em vários volumes esses trabalhos na série Estudos Algarvios, desenvolveram-se iniciativas como a homenagem a Júlio Dantas em Lisboa e em Lagos, descerramento do epitáfio de Coelho de Carvalho em Ferragudo, construção em São Brás de Alportel do monumento a Bernardo de Passos, criação da Casa do Povo da Conceição, freguesia de onde Mateus Moreno era natural e onde tinha família, prestou a sua colaboração para que se fizesse a construção do monumento a João de Deus em São Bartolomeu de Messines, desenvolveu campanha para angariar fundos que visavam a construção em Sagres de um monumento ao Infante D. Henrique (monumento este que acabaria por ser construído em Lisboa, junto ao rio Tejo). Martins Moreno faleceu em 19 de Maio de 1970, com 77 anos de idade.

Era casado com Rosária Fernandes Salgado Moreno. Pertenceu a diferentes organismos como a Cruz Vermelha Portuguesa, sócio do Instituto de Socorros a Náufragos, da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Cultural de Angola, da Casa da Metrópole em Luanda, onde foi director desde 1945, foi membro da União Nacional e da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Recebeu também as seguintes condecorações: Medalha Militar de Prata de Comportamento Exemplar, medalha Comemorativa da Guerra (1914/18), medalha da Vitória e o grau de Oficial da Ordem Militar de Aviz, entre outros reconhecimentos públicos.

Colaborou em múltiplos órgãos de imprensa regional, nacional e das colónias, onde se destacam as colaborações nas seguintes publicações: A Mocidade,Alma NovaCorreio do SulBoletim da Sociedade de Geografia de LisboaBoletim da Casa do AlgarvePanoramaPortugal ColonialRevista de ArtilhariaRevista MilitarVida Algarvia, entre muitas outras publicações periódicas regionais e nacionais.

Bibliografia Activa:
A Luta contra o Analfabetismo e o Problema do Ensino no Algarve, Congresso do Algarve, 1915;
Prece ao vento (poemeto), 1915;
De Portugal à Flandres -  Cinco cartas de guerra e Cinco Companheiros de Luta, 1918;
Pátria e Exército : oração da bandeira, Lisboa, Ressurgimento, 1922.
Minha Pátria (poema), 1923;
A Sinfonia Macabra (Máximas de Kultur), 1920.
O Valido (drama histórico publicado em folhetins no periódico Folha de Arte).
Sangue d’Epopeia. A Artilharia Portuguesa na Flandres, 1921.
A Carta (peça em verso, num acto), 1928.
A Nova Guerra e a Artilharia, 1928;

- “Semana de Lisboa”, Vida Algarvia, Faro, 07-07-1929, Ano I, nº 2, p. 4, col. 1.
- “Semana de Lisboa: A Crise Ministerial e a sua solução”, Vida Algarvia, Faro, 14-07-1929, Ano I, nº 3, p. 6, col. 1 e 2.
- “Semana de Lisboa: A tentação do mar…”, Vida Algarvia, Faro, 28-07-1929, Ano I, nº 5, p. 4, col. 2 a 4.
- “A «Vida» em Lisboa”, Vida Algarvia, Faro, 04-08-1929, Ano I, nº 6, p. 4, col. 3 a 5.
- “A «Vida» em Lisboa”, Vida Algarvia, Faro, 11-08-1929, Ano I, nº 7, p. 4, col. 2 a 4.
- “A «Vida» em Lisboa”, Vida Algarvia, Faro, 18-08-1929, Ano I, nº 8, p. 4, col. 2 a 4.
- “A «Vida» em Lisboa”, Vida Algarvia, Faro, 01-09-1929, Ano I, nº 10, p. 4, col. 2.
- “A «Vida» em Lisboa: Crónica da Semana”, Vida Algarvia, Faro, 08-09-1929, Ano I, nº 11, p. 4, col. 2 e 3.

Os Algarvios no Movimento da Expansão Portuguesa, 1931;

Os quatro pontos cardeais do regionalismo algarvio, Parceria António Maria Pereira, 1934.
- Figuras coloniais / Mateus Moreno. - Sá da Bandeira, [1937]: Vouga. - 20 p.
Livro de Homenagem ao Prof. Fernando Frade: por ocasião de 70º aniversário. - Lisboa : Junta de Investigações do Ultramar, p. 383-419.
- Figuras coloniais : General Henrique de Carvalho, benemérito da pátria / Mateus Moreno. - [S.I. : s.n.], 1937 (Sá da Bandeira : Tip.Vouga. - 20 p. ; 23 cm. - Obra que referencia o General Henrique de Carvalho em África.
- A acção do exército no movimento colonizador de Portugal, Portugal Colonial. - Nº 45 (1934), p. 17.
- Fastos militares da ocupação do Sul de Angola [Ilustrado], Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. - Série. - 58, 1-2 (1940), p. 30-65.
- Aspectos da defesa militar de Angola / Mateus Moreno. - [S.I. : s.n.], 1940 (Lisboa : L.C.G.G.. - 13 p. ; 23 cm. - Obra que se debruça sobre o sistema militar, as forças armadas e a segurança assegurada pela mesma em Angola.
- “Aspectos de defesa militar de Angola”, Revista Militar, Outubro de 1940.
- A missão nacionalizadora do exército no ultramar, O Mundo Português. - Vol. 9, 106 (1942), p. 441-444
- Construtores do Império / Mateus Moreno. - Lisboa : [s.n.], 1943. - 15 p. ; 22 cm. - Revista de Artilharia. Obra que referencia o General Henrique de Carvalho em África.
O Colégio Militar (Esboço monográfico), Lisboa, 1944;
- Fastos militares da ocupação do sul de Angola - Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1945. - 54 p. : il. - Pelo Império ; 108)
A juventude de Angola lições de patriotismo, Casa da Metropole, 1946;
- Possibilidades de Angola para as indústrias do saco e do papel, Luanda : Casa da Metrópole, 1947. - 55 p. : il. ; 23 cm. - Cadernos coloniais de propaganda e informação, n.º 13.
- Corporativismo e propaganda colonial / Mateus Moreno. - Luanda : Casa da Metrópole, 1947. - 32, [3] p. ; 22 cm. - O corporativismo e a propaganda colonial em Luanda, Angola.
- Subsídios para estudo das regiões de além-Cunene, Mensário administrativo : publicação de assuntos de interesse ultramarino / direcção dos Serviços de Administração. - Nº6 (1948), p. 31-33
- Exposição comemorativa das Bodas de Diamante – Ilustrado, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. - Série 68, 11-12 (1950), p. 633-686
O Algarve rende homenagem a Trás-os Montes na evocação de um dos seus filhos mais ilustres feita por um insigne escritor militar algarvio e heróico combatente das campanhas de Angola - Publicado no «Jornal de Benguela», Angola, de 3-1-1955.
O Coronel Bento Roma (1884-1953) : homenagens e consagrações em 1954 e 1955 / pref. Ferreira Martins. - Lisboa : [S.N.], [1955?]. - P. 155-158.
Hino de Sagres [ Música impressa] : prémio "Libânio Correia" do concurso musical promovido pela Casa do Algarve, Lisboa, 1957 / Elvira de Freitas, Letra de Mateus Moreno. [S.l. : s.n.. 1957.
- Sob os signos de Ossónoba e do turismo, Panorama, IV série, nº 3 (1962)- Páginas não numeradas.
- In Memoriam – General José Paulo Fernandes;

Colaborou regularmente com o semanário algarvio Correio do Sul onde publicou alguns trabalhos que merecem particular menção: um conjunto de artigos publicados entre 22 de Junho a 3 de Agosto de 1941, sob o título “Artilharia e Artilheiros do Algarve” e ainda uma série de mais de duas dezenas de artigos subordinada ao título “Medalhões Algarvios”, onde esboçava traços biográficos e biobibliográficos detalhados sobre algumas das mais personalidades algarvias mais em evidência e que merecem consulta dos estudiosos.

O corpo do Major Mateus Martins Moreno foi sepultado no talhão dos Combatentes, no cemitério do Alto de S. João em Lisboa, a 20 de Maio de 1970.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
- Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Coord. Eugénio Lisboa, Org. Instituto da Biblioteca e do Livro, Publicações Europa América, Mem Martins, 1994.
- “Da Vida que Passa: Major Mateus Moreno”, Correio do Sul, 28-05-1970, Ano 51, nº 2707, p. 1, col. 2 e 3, p. 4, col. 2 e 3.
- Marreiros, Glória Maria , Quem Foi Quem? 200 algarvios do século XX, Edições Colibri, Lisboa, 2000.
- Mesquita, José Carlos Vilhena, “A Imprensa Republicana no Algarve”, José Mendes Cabeçadas Júnior e a Primeira República no Algarve [Catálogo da Exposição], Coord. Luís M. Guerreiro e Diogo Gaspar, Comissários Científicos: Elsa Santos Alípio/Artur Barracosa Mendonça, Câmara Municipal de Loulé. Divisão de Cultura e Museus, Loulé, 2010.
- Quem é Alguém, Portugália Editora, Lisboa, 1947., em Lisboa. Foi ainda também docente na Escola Superior Colonial.